O artista imaginário

Autor:  Andre Borges

ORGULHO
Cantos e contos,
Olhares e observações,
São essas as expressões,
Onde o matuto se tem emoções,
No som do Campina,
Se anuncia a cantiga,
Entre roçado e o desejo,
Apenas vejo,
O suor sedento de desejo,
No dia a dia entre preces e orações,
Segue as emoções,
Na seca a coragem segue,
Com os problemas à faceta do guerreiro transparece,
Nas lutas que antecede,
É o orgulho de um povo que transcende,
A cada novo olhar e sorriso,
Eu cegamente acredito,
Que o nosso modo de vida seja seguido,
Em gerações à gerações,
Sem contradições,
Pois aqui existe um povo de tradições com orgulho em nossos corações.

ATO I

Nos falsos sorrisos encenados,
Sinto que somos sufocados,
Almas de plásticos surgem na sombra,
Compondo um duo de hipocrisia,
Em forma de poesia,
Deslumbra-se no palco da vida,
As ilusões do querer,
Querendo cada  vez mais,
Deixamos para trás o que realmente nos faz,
Seguimos com duetos de falsidades expostos ao ar livre,
Soam como se fossem normalidades,
Mais uma vez a arte imita a vida,
Chegando ao fim da peça,
Os aplausos ecoam sem pressa,
E mais uma vez fecha-se as cortinas de uma peça modesta.

O ARTIISTA
Na tela da vida,
O pintor me convida,
Ele me fala sobre as belezas das cores,
E ao mesmo tempo das suas dores,
Ele a retrata na dificuldade,
Mas ele capricha na felicidade,
Cada detalhe é pensado,
Como se tudo já estivesse Arquitetado,
A primeira pincelada, Ele da brilho a coragem nos contornos,
A segunda vem com um sorriso estampando o rosto,
Na terceira, Ele contrasta nas cores,
Nos tons claros e escuros,
Me ensinando que à os dois lados do mundo,
A quarta pincelada vem com cores fortes,
Mas com leveza e sutilidade,
Mostrando que apesar da vaidade existente,
Só os puros irão conter a humildade verdadeiramente,
Durante a quinta, ele olha para mim e fala que está perto do fim,
Mais três pinceladas e estará criada na tela,
A maior arte feita em todas as eras,
A quinta aflora um Rio  com cores claras com uma casa na beira,
Representando que o começo e o fim
São apenas passageira,
A sexta pincelada é o ápice da pintura,
Onde ao observar sua obra quase preparada,
Refletiu e pensou no que faltava,
Com um ar de tranquilidade e com muita calma,
Ao invés da pincelada, ele chega perto da tela e dá uma soprada,
Sem entender o ocorrido,
Volto o olhar para a obra e vejo um colorido,
Pergunto o que foi aquilo,
Mesmo sem entender nada,
Ele olha para mim  e fala,
Acabei de ascender a alma,
O pintor se senta e admira o feito,
Pergunto sobre a última pincelada,
Ele me olha e dá risada exaltada,
E me fala que a sétima pincelada é a satisfação de ver que fiz a partir do nada,
Só me resta descansar e observar,
E durante a eternidade contemplar.

RAÍZES
Interior interiorano,
Tudo lá me encanto,
Das cachoeiras às Brejas,
Das paisagens às sertanejas,
Como fosse a saudade me cutucando,
Alertando-me do meu canto,
As aventuras da mocidade,
Guardo na saudade,
Ao mesmo tempo pequena e aconchegante,
Ali se faz importante,
O começo da minha jornada,
Devo a minha amada,
Sua beleza é exaltada,
Nos versos desse “caba”,
Que desde cedo aprendeu o valor,
Apesar de ser apenas um observador,
Expresso apenas o meu Amor,
Dessa terra, Deste chão,
Em cada olhar na imensidão de pureza,
Na minha mente só tenho a clareza,
Que um dia voltarei a ser feliz,
Quando realmente descansar na minha Raiz.

O CRIADOR
Cada vez mais dentro de mim mesmo,
Esqueço o que é de fora,
Mas nada mais me apavora,
A não ser ter que começar do começo,
Construindo na minha mente,
Afasto- me daqueles que são presente,
Fadado a criar e imaginar,
Penso como tudo isso irá se transformar,
Entre papéis e minha imaginação,
Vidas são criadas em meio a minha confusão,
Todo criador venera suas obras,
Observando e se deliciando por várias horas,
O nascimento e renascimento é rotineiro,
Trancado o dia inteiro,
Para terminar uma idéia que não se encontra por inteiro,
Escrevendo minhas próprias ilusões,
Acredito que passo as emoções com muito vigor,
Com o meu velho whisky e cigarro na mesa,
Assim termino esse relato de um velho escritor.

*

Sou formado em música pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte e a menos de 1 ano que escrevo, lancei um livro intitulado INTERAÇÕES DO SER em Portugal recentemente, estou me descobrindo cada vez mais nesse seguimento onde é infinito.

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